20170121 – Clovis Rossi e Donald Trump (Dia 30 na Europa)

Clovis Rossi, em seu artigo na Folha de S. Paulo de hoje, 21 de Janeiro de 2017, mostra como a imprensa de esquerda pode deturpar o que é dito por quem não é de esquerda na intenção de promover seus ideais esquerdizantes.

Clovis começa tentando nos fazer crer que o “America first” de Trump é equivalente ao “Deutschland über alles” de Hitler. Nada mais ridículo. A frase nazista enuncia o ideal de colocar a Alemanha a dominar o mundo. A frase de Trump é a promessa de, em suas decisões, colocar sempre o interesse dos Estados Unidos em primeiro lugar.

Chega até a ser ridículo imaginar que o governante de uma nação pudesse cogitar, ao tomar suas decisões, de colocar o interesse de outras nações à frente do interesse de sua própria nação. A frase de Trump é necessária porque o chamado internacionalismo da esquerda americana levou os governantes democratas daquele país a colocar os interesses das outras nações na frente dos interesses americanos. Trump deixou isso claro em seu discurso de posse ao dizer que os Estados Unidos deixam seus territórios correndo para proteger as fronteiras de outros países contra invasão de terceiros, esquecendo-se de proteger as fronteiras dos próprios Estados Unidos contra a imigração ilegal.

É evidente, portanto, que a frase de Trump está longe de representar o que Rossi quer nos fazer crer que ela signifique. Se ela significasse, Trump estaria pensando em invadir o México, não em construir um muro que separe o território americano do mexicano. Seu objetivo é controlar a invasão ilegal do território americano a partir do território mexicano, não invadir ilegalmente o território alheio, como o fez Hitler, invadindo Polônia, Holanda, Bélgica, França, os países bálticos, etc.

Trump nem de longe, neste aspecto, evoca um passado sombrio. “America first” não é um slogan “agressivo e autoritário”. Muito pelo contrário. No contexto de outras manifestações de Trump, pode significar exatamente o contrário: um slogan isolacionista (como foi a tradição americana que impediu os Estados Unidos de intervirem nas duas grandes guerras até, no caso da primeira, não terem mais como resistir ao apelo da Inglaterra, e, na segunda, até virem seu próprio território atacado pelos japoneses).

Não há dúvida de que Trump é patriota. Sugerir que Trump é um canalha por causa de seu patriotismo não é ofender apenas Trump: é ofender 95% dos americanos – e fazer isso com base num chiste de um frasista famoso.

Citar Soros, biliardário metido a esquerdopata, no sentido de que Trump é um “aprendiz de ditador”, é outra besteira gritante. Dá pena ver Rossi precisar recorrer a esse tipo de “inspiração” para criticar Trump.

A população americana elegeu Trump pelas regras eleitorais vigentes. Não adianta a esquerda agora lamentar que os EUA tenham as regras que têm — e que têm lhes valido bem desde a aprovação de sua Constituição no final do século 18. (De lá para cá o Brasil teve no mínimo sete Constituições). Se Hilary houvesse sido eleita com menor número de votos populares do que Trump, a esquerda estaria louvando as regras eleitorais vigentes. A esquerda é sempre péssima perdedora – e sempre casuisticamente disposta a manipular as regras se isso lhe garante vantagem.

Se, nas próximas eleições, o povo americano não estiver satisfeito com Trump, não o reelegerá – como não reelegeu o esquerdinha cristão, babaca-mor Jimmy Carter em 1980, preferindo Ronald Reagan, aquele que, naquela ocasião, a esquerda classificou de um cow-boy frustrado e incompetente – e que, quatro anos depois deu a maior lavada nos democratas que eles já levaram nos últimos tempos, tornando-se, na avaliação dos historiadores, um dos maiores presidentes que os Estados Unidos já tiveram, no mesmo nível que Washington, Jefferson, Lincoln e (F. D.) Roosevelt.

Trump não foi eleito Presidente dos EUA pelos não-americanos. Os europeus, os asiáticos, em especial os chineses, os africanos, os latino-americanos, etc. podem todos chiar à vontade, porque Trump vai governar os EUA com seus olhos e ouvidos nos americanos, não no resto do mundo. E é isso que ele tem de fazer – para não cometer estelionato eleitoral para com seus eleitores, algo que a esquerda brasileira adora fazer.

Acabamos de nos livrar um governo incompetente e corrupto no Brasil que governava o país com seus olhos e ouvidos no resto do mundo – esquecendo-se de volta-los para os brasileiros. Deu no que deu. Petralhas et caterva foram escorraçados do governo do Brasil porque não pensaram no que os brasileiros queriam. Nem acharam que precisavam: achavam que com um pouco de marketing pago com propina convenceriam os brasileiros a ficar contentes com o que eles queriam fazer.

Lulla e Dillma não estavam pensando primeiro no Brasil quando autorizaram que o BNDES emprestasse dinheiro brasileiro para construir porto em Cuba, para financiar a plantação de soja e a criação da galinhas em Angola, para ajudar o governo venezuelano em dificuldades, ou quando não protestaram diante do confisco dos bens da Petrobrás pelo governo boliviano ou perdoaram as dívidas de Angola para ganhar propina de seu ditador. E muitas outras coisas. Até no caso do Mais Médicos, Lulla e Dillma pensaram primeiro em ajudar Cuba, pois o programa nada mais foi do que uma forma pouco engenhosa de transferir dinheiro brasileiro para o ex-Fidel e o (soon to be ex-) Raul Castro — dois ditadores nojentos.

Os petralhas pensaram nos outros países (governados pela esquerda) primeiro (e nas propinas que eles próprios iriam receber no processo). Nunca no povo brasileiro.

Por isso, hoje, há exatamente 10 deputados americanos (todos democratas de esquerda) protestando contra a Lava-Jato, Moro, e o que consideram “a perseguição do grande líder Lula”… E o Brasil, por sua vez, está feliz por ter se livrado de Lula e do PT. Os esquerdistas estrangeiros que se lixem, a começar com os vizinhos bolivarianos.

Não há por que temer intervencionismo por parte dos americanos. Eles só intervieram, no passado, quando foram convocados. Devemos temer o contrário. Se há algo a temer no governo Temer é o isolacionismo. Hoje sabemos que a intervenção americana em duas guerras europeias salvou não só a Europa, mas o mundo, de viver sob ditaduras. Que o digam os Belgas, que até hoje são gratos pela intervenção americana, mesmo que seus vizinhos, os arrogantes franceses, derrotados nas duas guerras, hoje se considerem parte dos vencedores, algo inconcebível na ausência de duas intervenções americanas. O que devemos temer, no governo Trump, é o surgimento de ditadores e invasões em outras plagas sem que os Estados Unidos se disponham a intervir, mesmo se convocados, para restaurar a democracia e a ordem.

Em Bruxelas, 21 de Janeiro de 2017

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Folha de S. Paulo, 21 de Janeiro de 2017

Clóvis Rossi

“Trump evoca um passado sombrio

‘Deutschland über alles’ (a Alemanha acima de tudo) era a música de fundo do nazismo. É assustador que, 65 anos depois que a Alemanha retirou a estrofe de seu hino nacional, o presidente de uma nação ainda mais poderosa do que qualquer outra reponha esse grito de guerra do nacionalismo.

‘America first’, gritou Donald John Trump ao assumir a Presidência nesta sexta-feira (20), confirmando o tom agressivo e autoritário de seus discursos de campanha.

É igualmente assustador que Trump tenha elevado o patriotismo a uma espécie de religião, quando o pensador britânico Samuel Johnson (1709/84) já havia dito: ‘O patriotismo é o último refúgio dos canalhas’.

Tudo somado, difícil discordar do mega-investidor George Soros quando ele diz que Trump é um ‘aprendiz de ditador’.

Minha sensação pessoal é a de que Trump jamais concluirá o curso, porque os Estados Unidos têm a maravilhosa tradição de fazer troca de presidente a cada quatro anos (a menos que um deles seja reeleito) desde 1789, como lembrado, de resto, na cerimônia de posse.

Parece inviável, portanto, que uma ditadura seja aceita pelo tal de povo, outra palavra com que o presidente encheu a boca, escandindo as palavras ‘the real people’ – o que todo populista que se preze sempre fez em qualquer país.

O autoritarismo de Trump, em todo o caso, se de fato levado a efeito, se de fato buscar sempre a ‘America first’, pode causar tremendos problemas para a América Latina e para o Brasil, que ninguém se engane.

A Americas Society/Council of the Americas, dedicada às relações Estados Unidos/América Latina, acaba de divulgar preciso levantamento das posições de alguns dos secretários escolhidos por Trump a respeito do subcontinente – região, aliás, que esteve completamente ausente durante a campanha, fora México e Cuba.

O novo US Trade Representative, Robert Lighthizer, responsável por negociações comerciais globais, por exemplo, apontou o Brasil como ‘o mais consistente violador das leis comerciais norte-americanas’. Foi em depoimento ao Senado em 2007, mas parece improvável que tenha mudado de ideia nos 10 anos transcorridos.

Já o secretário de Segurança Interna, o general John Kelly, em depoimentos também ao Senado, cansou-se de expressar preocupação com o envolvimento do grupo libanês Hezbollah, do Irã e de ‘grupos extremistas islâmicos’ em países como Argentina, Brasil, Paraguai e Venezuela.

Não custa lembrar que Trump, no discurso de posse, prometeu erradicar da face da Terra os grupos radicais islâmicos.

Os Estados Unidos têm uma longa e antiga história de intervencionismo em assuntos internos de outros países, em especial da América Latina. Torna-se um pesadelo, pois, imaginar que Trump está ressuscitando um tipo de nacionalismo/patriotismo carregado de autoritarismo, quando parecia sepultado pela vitória do capitalismo na guerra fria.

Falta acrescentar o potencial de conflitos com outros países fora da América Latina, capazes de perturbar seriamente a economia global.

Virão, pois, tempos de emoções fortes. As primeiras são as piores possíveis.”

Em Bruxelas, 21 de Janeiro de 2017

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