20170118: O Vigésimo Sétimo Dia na Europa (O Futuro Rei do Brasil Já Existe)

Hoje é o vigésimo sétimo dia desde que botamos pé na Europa. Escrevo de manhã, antes de o dia realmente acontecer. Mais cinco dias e nos vamos. Já está na hora. Sinto que está todo mundo cansado, com pouca disposição para bater perna. E com saudade de casa. Não é fácil, para quem está confinado com a largueza de nossos ambientes domésticos em São Paulo e em Salto, ficar confinado a um espaço que é, no máximo 30m2. Ficam quatro pessoas se trombando.

Além disso, a vigência de nosso EuRail Pass, que era de 22 dias, expirou. Agora, se quisermos andar de trem, temos de pagar normalmente. Fizemos bom uso dele. Algumas viagens mais longas (Interlakken, na Suiça), algumas intermediárias (Köln, Amsterdam), outras mais curtas um pouco (Paris/Versailles, Strasbourg, Aachen/Aix-en-Chapelle, Luxembourg), e outras mais pertinho (Antwérpia/Anvers [duas vezes], Bruges, Ghent, Louvain). Deveria ter a pachorra de contabilizar quantos quilômetros viajamos de trem e o preço normal da passagem, para determinar quanto economizamos com o passe. Mas não tenho. Fiz a contabilidade exata, porém, de todos os nossos gastos, usando meu amado software chamado Quicken, que uso desde a v.1 para DOS, que saiu em 1983 (vide https://en.wikipedia.org/wiki/Quicken). Quase 35 anos usando o mesmo software de finanças pessoais. Lembro-me de que, quando conheci o Daniel Sigulem, da Escola Paulista de Medicina, em 1987, ele também usava o Quicken. Foi a primeira — e, acredito, a única — pessoa que eu conhecia que também usava o excelente software. Lembro-me de que uma vez a Microsoft, que tinha um programa equivalente, chamado Money, tentou comprar o Quicken (que pertencia a uma empresa chamada Intuit, Inc.), mas os concorrentes todos entraram no Justice Department dos Estados Unidos com pedidos para que impedisse a compra. A Microsoft estava no auge naquela ocasião, e, segundo os concorrentes, se ela comprasse o mais usado programa de finanças pessoais (que permite interação direta com bancos [para puxar extratos e fazer pagamentos que precisam ser feitos todo mês ou toda semana, por exemplo], classificação e ordenamento de documentos para Imposto de Renda, elaboração e acompanhamento de orçamentos, definição de limite de gastos por determinadas categorias ou subcategorias de despesas, definição do “net worth” da pessoa, etc., iria controlar mais esse mercado, até aquele ponto na mão de uma companhia pequena. Quando passei a usar o OS da Apple no meu MacBook Air em 2011, fiquei meio decepcionado, porque a versão para o OS do programa é inferior, em qualidade (tem menos recursos e características) do que versão para Windows. Uma das características que a versão para o Mac não tem é automaticamente converter operações de transferência de uma conta em uma moeda para uma conta em outra moeda. Quando você viaja, por exemplo, faz compras em moeda estrangeira, em cash ou através do cartão de crédito. A versão para Windows convertia automaticamente os valores usando cotações de câmbios baixadas automaticamente de seu banco para fazer a operação. Isso me irrita bastante, mas não o suficiente para parar de usar o programa, que custa 45 dólares para atualizar anualmente. Além disso, recentemente foi lançada a versão para iOS e Android, mas não funciona com telefones registrados no Brasil. Sei que a culpa não é da Quicken/Intuit, mas da legislação nacional e da máfia dos bancos, que gostaria de poder fazer algo equivalente e lucrar o que a Quicken/Intuit lucra com o belo software. O software tem defeitos e irritantes também, vários deles bem registrados no artigo da Wikipedia mencionado atrás.

Hoje acho que vamos passear de novo pela cidade. Mas, para tal, é preciso arrancar o pessoal da cama. Já são 9h e está todo o mundo dormindo… Até mais!

o O o

Antes de falar sobre o que fizemos no dia, três comentários.

Primeiro: Antes de vir imaginávamos que iríamos encontrar refugiados por toda a parte. Não encontramos, a não ser excepcionalmente. Lembro-me de ter visto fotos dos centros turísticos de Paris com barracas de refugiados nas calçadas e na grama da Champs-Elysée, da Torre Eiffel, de jardins diversos, etc., mas não vimos nada disso. Talvez por causa da onda de frio o pessoal tenha sido movido, pois, em caso contrário, morreriam todos.

Segundo: Antes de vir estávamos com receio das medidas de seguranças para evitar a circulação de terroristas. No entanto, a coisa foi bem tranquila. É verdade que entramos em solo europeu (mas não em território da Comunidade Europeia) pela Suíça. Mas ninguém nos incomodou e não vimos ninguém ser incomodado. Da Suíça para a Bélgica foi um “voo doméstico” (em termos: um voo dentro da Europa). Viajando de trem, passamos por fronteiras nacionais em vários momentos: Bélgica / Alemanha, Bélgica / Holanda, Bélgica / França, Bélgica / Luxemburgo, Alemanha / Suíça, etc. Só na entrada por trem da Alemanha para a Suíça entraram no trem oficiais de imigração e pediram para ver passaportes, etc. De resto, tranquilíssimo. Felizmente. Nas cidades, em virtualmente todas, vimos duplas de soldados fazendo a ronda, fortemente armados, com metralhadoras, granadas, etc. A impressão é ruim. Ontem, quando estava na Fnac, uma dupla dessas entrou na loja, circulou pela inteira, com calma e tranquilidade, e saiu por outra porta. Fez-me lembrar, em 1984, quando peguei um ônibus em Jerusalém e me sentei em um banco longo, com cerca de cinco lugares, que estava vazio. No ponto seguinte entraram dois soldados, fortemente armados, que se sentarem do meu lado. Foi uma sensação estranha, da qual me lembrei ao estar olhando livros na Fnac ontem e dar de cara com os soldados. Ah, ia me esquecendo: em várias ocasiões, ao entrar em shoppings ou mesmo em grandes lojas, tivemos de submeter mochilas e bolsas para inspeção. Fez-me lembrar de Bogotá, na Colômbia, no início dos anos 2000. Em Bogotá, até para entrar de carro na garagem do prédio da Microsoft a gente tinha de sair do carro, policiais com cães farejadores vinham vistoriá-lo, e usavam até espelhos para observar a parte de baixo do carro!!!

Terceiro: Antes de vir lemos várias coisas sobre a necessidade de ter Seguro de Vida e de Saúde compatível com o Sistema SCHENGEN (da Comunidade Europeia), com itens envolvendo até repatriação de cadáver, para a hipótese de morrermos aqui, para poder entrar na União Europeia. Contratamos seguros desse tipo para os quatro. Mas ninguém em nenhum momento pediu para vê-los ou mesmo perguntou se os tínhamos.

De qualquer forma, em relação a essas três observações, o relatório que faço é positivo.

o O o

Escrevo no fim do dia agora…

Saí ao meio dia, a pé, para ir até um parque no outro lado da cidade, fotografar uma entidade chamada Atomium. Andei, num ritmo bom, cerca de 8km até chegar lá, com pequenas paradas para consultar o mapa. No caminho, encontrei três igrejas muito lindas, que fotografei. As fotos das três igrejas e da entrada do Atomium estão disponíveis no Facebook, em https://www.facebook.com/eduardo.chaves/posts/10154868568937141.

Cogitei da possibilidade de voltar a pé, mas fiquei medo de me forçar demais. Voltei de metrô. Peguei-o na estação chamada Stuyvenbergh, na linha 6, Azul, e fui até a estação Trône (Tron), da mesma linha, aqui perto de casa. Passei por 16 estações ao todo, contando a inicial e a final. A estação em que desci é chamada de Trône porque fica perto do Palácio Real. Nosso hotel fica a poucos quarteirões do palácio. Em Londres também já ficamos hospedados em um hotel a poucas quadras do Palácio de Buckingham.

Ao ir para o Atomium hoje dei-me conta de que o Rei e a Rainha estão homenageados através dos nomes de vários logradouros. Parte do trajeto eu o percorri na Rue Royale (Koningstraat), que, numa curva, se torna Avenue de la Reine (Koninginnelaan). Ao entrar no parque a avenida muda de nome para Avenue du Parc Royal (Koningkluk Parklaan). No parque há um Palais Royal de Laeken (Koninklug Paleis van Laken). No caminho cruzei uma Place de la Reine (Koninginne Plein). E assim vai. Menções à Realeza, e aos Reis e Rainhas, atuais e passados, abundam. Os reis da Bélgica, que começaram a reinar em 1831, depois de um ano de regência, enquanto se acertavam os detalhes, têm tido três Leopold, dois Albert, um Baudoin (Baudeijn) e o atual Philippe (Filip). O Baudoin virou Balduíno em Português. Eles em geral são longejos e reinam bastante. Leopold III e Abert II abdicaram em favor dos filhos, respectivamente, Baudoin e Philippe (este, o rei atual, tendo assumido a coroa em 2013, com 53 anos, casado com a rainha Mathilde). [Cp. https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_Belgian_monarchs%5D.

Por falar nisso, fui procurar na Wikipedia BR a linha de sucessão ao trono brasileiro. Os dez primeiros são os seguintes:

01. Luís Gastão de Orléans e Bragança, chefe da casa imperial brasileira [78 anos]

02. Bertrand Maria José de Orléans e Bragança, príncipe imperial do Brasil e de Orléans e Bragança [75 anos]

03. Antônio João de Orléans e Bragança, príncipe do Brasil e de Orléans e Bragança [66 anos]

04. Rafael Antônio Maria de Orléans e Bragança, príncipe do Brasil e de Orléans e Bragança [30 anos]

05. Maria Gabriela Fernanda de Orléans e Bragança, princesa do Brasil e de Orléans e Bragança [27 anos]

06. Isabel Maria Josefa de Orléans e Bragança, princesa do Brasil e de Orléans e Bragança [72 anos]

07. Eleonora Maria Josefa de Orléans e Bragança, princesa do Brasil, de Orléans e Bragança e de Ligne [63 anos]

08. Henrique Antônio de Ligne, Príncipe de Ligne [27 anos]

09. Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança, barão de Bordonha e Valnigra [85 anos]

10. Afonso Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança [46 anos]

[https://pt.wikipedia.org/wiki/Linha_de_sucessão_ao_trono_brasileiro]

Os três primeiros estão velhos demais, mas o Príncipe Rafa (entre os íntimos) tem chance. Está só com trintinha… Vou começar a fazer campanha. Em 20 anos muita coisa pode mudar (se a Band me permite usar, alterando, o bordão dela).

Em Bruxelas, 18 de Janeiro de 2017.

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