20170113-20170115: Dois Dias em Paris e um em Casa

Nos dias 13 e 14 de Janeiro estivemos em Paris. Dois dias apenas para uma cidade tão grande e tão bonita é muito pouco. Mas é o que tínhamos. E infelizmente tivemos, ainda, para atrapalhar, momentos de chuva, de neve, de chuva e neve misturados, de vento e de muito frio. Às vezes era difícil decidir se era chuva ou neve o que estava caindo: caía como se fosse neve, mas derretia ao bater no chão, não acumulando. As meninas torciam para que nevasse pesado. Eu, para o que o tempo ficasse estável e sem vento, ainda que frio. Frio sem vento não me incomoda muito, não.

Saímos de Bruxelas às 7h43 da manhã e chegamos a Paris logo depois das 9 da manhã na sexta-feira, dia 13 (Sexta 13!). O TGV levou 84 minutos. Fomos direto para o hotel, onde, felizmente, nosso quarto estava pronto. Deixamos nossas coisas lá e partimos para Versailles. Nosso hotel ficava em Clichy, perto da estação Mairie de Clichy. Felizmente, ali perto passava um trem suburbano, que pegamos na estação Clichy-Levalois, e que nos levou em menos de 30 minutos até a estação Versailles-Rive Droite. De lá andamos um pedaço até o palácio. Na volta, o mesmo trajeto. Não precisamos pagar porque, nos trens suburbanos, ou regionais, o nosso passe do Eurail é aceito.

Nunca achei muita graça em visitar museus. Versailles menos ainda, por ser, o universo a ser visitado, gigantesco e por serem os diversos ambientes, dentro do Palácio, muito semelhantes uns aos outros: quadros, alguns móveis, alguns utensílios. Depois de atravessarmos o Palácio em si, já estava meio cansado. Só o palácio levou mais de duas horas para visitar. Restavam os jardins e os anexos do palácio. Como estava ameaçando chover e eu já estava muito cansado, resolvi não ir. As três (Paloma, Bianca, e Priscilla) foram sozinhas e eu fiquei bebericando um chocolate quente e comendo uma tortinha de maçã (chausson aux pommes). Para os interessados, aqui vai uma receita: http://cuisine.journaldesfemmes.com/recette/331149-chaussons-aux-pommes. Depois de um tempo, vendo que se preparavam para fechar o estabelecimento, resolvi sair de lá, indo para a recepção, onde dão informações e vendem bilhetes. (Havíamos combinado essa possibilidade). Lá fiquei mais um tempo, e chegou a hora de fechar lá também. Eles fecham cedo no Inverno, porque escurece cedo, e boa parte da visita é externa. Já estava bem escuro e chuviscando e ventando forte quando fui obrigado a esperar no espaço aberto, fora, protegendo-me da chuva e do vento em alguns lugares protegidos, de onde pudesse observar os que estavam retornando dos jardins. Muita gente! Chinês, então, nem se fala…  E nada das três. Depois de muito tempo, comecei a andar no pátio, no rumo de onde estava, para ficar mais visível. E nada. Pensei em contatar a polícia/segurança do palácio, que passava de carro por ali de vez em quando. Quando já estava ficando perto de desesperado, vi as três já adiante do lugar onde eu estava. Aparentemente havíamos nos passado sem nos notar, no meio do povo. Elas foram até muito longe nos jardins, se perderam um pouco em alguns lugares (algo que não é difícil de acontecer), mas  conseguiram, no limite, pegar um bondinho para retornar. Segundo disseram, já haviam passado ali algumas vezes no rumo do lugar em que eu estava, sem me ver (e sem que eu as visse). Andamos o trajeto de volta, pegamos o trem, e, já em Paris, perto do hotel, tomamos um lanche e fomos dormir. Foi um dia longo. Felizmente, o quarto era muito agradável e confortável.

Ontem, sábado, dia 14, havia várias coisas que cada um (na verdade, cada uma) queria fazer e algumas coisas que cada um (agora dos quatro) não queria fazer. Eu, por exemplo, não queria pegar trem ou metrô nem ir a lojas. Queria, na verdade, simplesmente andar pela cidade. Mas as três queriam subir na Torre Eiffel. Já estivemos, a Paloma e eu, duas vezes antes aqui em Paris, em Dezembro de 2008 e Janeiro de 2013, sem que ela conseguisse subir, sempre por causa de mau tempo (as duas vezes foram no Inverno). As três também queriam subir ao topo do Arco do Triunfo. Mas elas não queriam andar. E queriam passar em frente ao Moulin-Rouge, para a Priscilla tirar umas fotos em frente (por causa do filme!). Enquanto faziam isso, tomando trem e metrô, eu fui do hotel à Torre Eiffel, levando cerca de cem minutos (uma hora e quarenta). Encontramo-nos lá, felizmente, com alguma facilidade. Comparando com o que havia acontecido no dia anterior, pareceu um milagre.

Mas, para azar de todo mundo, a torre estava fechada para subidas além do segundo estágio (que é bem baixo). Fomos ao Arco do Triunfo – quando começou a chover bem forte. Chegando lá, o elevador havia sido fechado, também por causa da chuva. E ninguém se dispôs a subir os quase 250 degraus da escada a pé. Já passava das 13h. Essa fase do passeio foi considerada encerrada.

Do Arco do Triunfo pegamos o metrô que, com uma transferência, na estação Concorde, nos levou até a região dos Grands Magasins para almoçar e para cada um, depois do almoço, fazer o que quisesse. Almoçamos num restaurante de Libre Service da Galeria Lafayette. Depois a Paloma e a Priscilla foram até a Catedral de Notre Dame, a Bianca ficou passeando pelas lojas (além da galeria, H&M, C&A, Gap, etc.). Eu dei umas voltas. Pretendia ir até a Fnac de Les Halles, mas estava chuviscando e ventando e, por isso, voltei do meio do caminho, para ficar na seção de livros da Galeria Lafayette. Era um dos poucos lugares relativamente vazios dentro da loja inteira de sete andares. Havia umas poltronas confortáveis lá e eu aproveitei para ler, cochilar e descansar um pouco. Minhas pernas e minhas costas estavam doendo. Também, devo ter andado quase 10km.

Encontramo-nos novamente num local combinado dentro da loja, por volta das 18h15 e de lá fomos até a Gare du Nord, para voltar. A pé. Levamos uma meia hora andando no frio. Tínhamos bastante tempo e é andando que se conhece a cidade.

O trem, tanto na ida como na volta, foi o TGV da Thalys (do mesmo tipo do que tomamos na volta de Amsterdam). Extremamente confortável e rápido. Dado o conforto oferecido poderia até ser mais lento. Foi servido jantar no trem, incluso na passagem, mas não estava tão bom quanto o da outra noite.

O relato aqui hoje está, eu sei, meio chocho. É que os dois dias, somados e divididos por dois, foram meio assim… A chuva, a neve, o vento e o frio atrapalharam. As diferenças entre o que cada um queria e não queria fazer também atrapalharam. As reuniões para negociar as diferenças também atrapalharam meu humor um pouco.  Acho que, em parte pela extensão da viagem como um todo, em parte pelo meu severo resfriado, em parte pelo fato de que o clima ficou pior, com chuva, neve, ventos, etc. estou ficando com preguiça de sair… Sobrou ainda uma parte aí? Se sobrou ainda menciono que o fato de eu ser o único homem enfrentando três mulheres voluntariosas e aguerridas me deixou meio nocauteado.

Hoje, dia 15, domingo, acordamos tarde e ficamos em casa. A Paloma e a Bianca saíram para comprar alguns comestíveis para abastecer nossa despensa e nossa geladeira.

Amanhã o plano é voltar a Ghent / Gent. Estou em dúvida se vou ou se fico descansando, lendo, botando minhas coisas em dia. E planejando as férias das férias que vou precisar tirar quando chegar em casa… 🙂

Em Bruxelas, 13-15 de Janeiro de 2017.

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2 comentários sobre “20170113-20170115: Dois Dias em Paris e um em Casa

    • Obrigado, Ondina. Hoje vou escrever algo meio filosófico sobre gestão do tempo, seleção de prioridades, e as condições de limitação (constraints) que a vida inevitavelmente nos impõe, mostrando, porém, que sempre temos a liberdade de escolher nossas reações a essas limitações. Beijo pra você e pro Waldir. EC

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