20170109 – O Décimo Oitavo Dia (Europa)

Fiquei pensando, um dia desses, por que a Comunidade Europeia escolheu como principais cidades de sua nova ordem as cidades de Bruxelas, Luxemburgo e Etrasburgo.

Bruxelles é a capital de um país relativamente pouco importante da Europa, a Bélgica. Por que escolher Bruxelles, por que agradar a Bélgica e Bruxelas? Há vários países e cidades mais importantes: Alemanha e Berlim, por exemplo; França e Paris; Itália e Roma; Espanha e Madri; Inglaterra e Londres (apesar da distância imposta por um pequeno canal, que separa a Inglaterra e Londres da Europa Continental). Seria possível honrar, se não o poderio atual, o poderio passado, colocando os três poderes da Comunidade Europeia em Atenas, na Grécia, em Roma, na Itália, e em Istambul, na Turquia (que ocupa hoje o lugar de Constantinopla e Bizâncio). O fato de que esses três países não representam um grande poderia econômico, político e militar poderia ser invocado para ajuda-los a preservar um pouco da glória que um dia tiveram… Seria possível também honrar, não a antiguidade clássica, mas o início da idade moderna, com a navegação e o comércio, contemplando Lisboa, em Portugal, Madrid, na Espanha, Veneza, na Itália… Há muitas possibilidades — mas Bélgica, Luxemburgo (um Grão-Ducado e nem mesmo um país completo) e a Alsácia-Lorena???

Em meu esforço de encontrar uma resposta, acabei encontrando uma resposta que parece ter pouca plausibilidade: foram escolhidas as cidades e os estados que hoje representam a Comunidade Europeia exatamente em função de sua quase nula importância histórica, política e econômica. Se fosse escolhida a Alemanha, a França protestaria; se fosse escolhida a França, a Alemanha protestaria… Na verdade, creio que mais gente protestaria, porque a Alemanha provocou as duas guerras e a França esteve entre os primeiros países a perdê-las… Na realidade, historicamente, são dois perdedores (por mais que estufem o peito hoje). Recompensar grandeza (ou suposta grandeza) atual não parece viável. A Inglaterra, a grande heroína europeia das duas guerras bem que teria merecido a honra, mas sua insularidade geraria protestos e seu passado glorioso poderia despertar nela sonhos de um novo império…

Recompensar potências (ou pseudopotências) dos séculos 15-16 também não parece muito justo. Portugal, Espanha e Itália hoje não representam bem a Europa. Sua economia está em frangalhos. Sobra-lhe como fator de certo orgulho o futebol… Barcelona, Real Madrid e Milan são potências de primeira linha; Benfica e Porto, de segunda… Mas isso, por si só, não justificaria a recompensa que representa ser capital da Europa Comunitária.

Sobram as não-potências do século 20.

Quem sabe não foi uma decisão sábia?

Eu, por mim, teria escolhido Amsterdã (Holanda), Copenhagen (Dinamarca), Oslo (Suécia) e Helsinque (Finlândia). Tem uma cidade a mais aí do que os três poderes do legislativo, judiciário e executivo. Mas acho que a Comunidade Europeia seria bem mais saudável e menos burocrática e metida a besta do que é hoje. Sei não.

Em Bruxelas, 9 de Janeiro de 2016.

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