20170101-03: Os Três Primeiros Dias de 2017 (Dias 10, 11 e 12 de Europa) – Freiburg e Suíça

Terminei o último artigo já na madrugada do primeiro dia do ano. Desde então não escrevi nada.

No dia primeiro, domingo, levantamos tarde e passamos quase o dia inteiro no quarto. Precisávamos resolver detalhes de nossa viagem à Suíça, que termina hoje (escrevo isto já nas primeiras horas do dia 4/1). Estamos no trem que nos levará de Basel, na Suíça até Köln (Colônia), na Alemanha. É uma viagem de quase sete horas. Saímos um pouco depois das 23h (23h13, para ser preciso), e chegaremos em Colônia um pouco depois das 6h (6h05, para ser preciso) já no dia 4/1. A viagem levará 6h52, portanto, não havendo atraso – o que não deverá haver (estamos na Alemanha). Passaremos pelas seguintes cidades, em cuja estação ferroviária vamos parar: Basel (CH), Basel Bad (DE – daqui em diante, todas as cidades na Alemanha), Freiburg (Bresgau), Offenburg, Baden-Baden, Karlsruhe, Bruchsal, Heidelberg (uma de minhas cidades favoritas – pena que não vamos ficar lá pelo menos um dia), Mannheim, Frankfurt (Main Station), Frankfurt (Airport – foi aqui que pegamos esse trem na ida), Mainz, Bingen (Rhein), Koblenz, Bonn (a antiga capital da Alemanha Ocidental, antes da reunificação das duas Alemanhas), e Köln (Colônia – onde vamos descer para nos transferir para o trem que vai para Bruxelas).

Mas voltemos ao domingo, dia primeiro do ano. Acertados os detalhes do planejamento, eu fui até a Estação Central de Bruxelas para reservar assentos nesta perna mais longa (e noturna) da viagem que estamos fazendo agora e que terminará às 6h05 de hoje, dia 4/1. (Hoje é o décimo terceiro dia de nossa estada na Europa). Enquanto fui à Estação Central, no domingo, a Paloma foi com a Bianca até um dos onipresentes Carrefour da cidade. Há Carrefour para todo gosto: Carrefour Market (o grandão — sem ser “hipermercado” que vende até televisão e geladeira), Carrefour City (grande, mas não tanto), Carrefour Express (mais ou menos equivalentes ao Carrefour Bairro, relativamente pequeno), etc.

No dia 2/1, segunda-feira, saímos por volta das 6h manhã (acordamos a partir das 4, a cada quinze minutos cada um, para todo mundo tomar banho e se aprontar), pegamos um trem local da estação Bruxelas-Luxemburgo (perto do nosso apart-hotel) e fomos até a estação Bruxelas-Norte (onde passaria o trem que iríamos pegar). Estava nevando, pela primeira vez.

Na Estação Nord de Bruxelas pegamos um trem que nos levou até Frankfurt, na Alemanha, estação Aeroporto. Lá pegamos um trem que nos levou até Freiburg, também na Alemanha. Havíamos decidido fazer uma parada de umas 5-6 horas lá porque a Bianca queria conhecer a cidade, que aparentemente tem adotado medidas progressistas na área de planejamento ambiental. Passamos pelas seguintes cidades, em que paramos: Frankfurt (Airport), Frankfurt (Main Station), Mannheim, Heidelberg, Mannheim, Bruchsal, Karlsruhe, Baden-Baden, Offenburg e Freiburg (Bresgau).

No caminho, voltou a nevar – e acabamos pegando uma boa nevada ao chegarmos à cidade de Freiburg. Rodamos um pouco o Centro Velho, visitamos algumas lojas (C&A, H&M, etc.). As femininas compraram várias roupas – e a Bianca até comprou uma bota, porque o sapato que ela estava usando não estava mantendo seu pé seco e quente na neve. Visitamos também a Catedral da cidade, bastante antiga e muito linda, que tem a distinção de ser uma das poucas igrejas antigas da Alemanha a não sofrer, pelo que consta, nenhum dano durante as duas guerras mundiais. Depois almoçamos numa dessas enormes lojas de departamento, de vários andares, que tinha um andar inteiro como restaurante do tipo self-service com tudo que é tipo de comida e bebida. Cada um montou sua bandeja como quis, quase todo o mundo tomando algum tipo de sopa (eu tomei ghoulash, que contou como sopa). No fim do dia, com a neve ainda muito forte, fomos para a estação para pegar o trem para Basel (Basiléia, em Português, Bâle, em Francês), onde havíamos planejado dormir (e de fato dormimos). Basel é quase a cidade seguinte a Freiburg: entre elas apenas a cidade de Basel Bad (que é uma extensão de Basel, mas que fica ainda em território alemão). O trem para ali apenas para as autoridades de imigração suíças fazerem sua checagem do trem e dos passageiros que acharem que merecem uma verificação mais detalhada. Nós passamos batidos, felizmente. Chegando ao hotel, que ficava razoavelmente perto da estação, a Paloma e as meninas ainda saíram para comer alguma coisa num McDonald’s perto do hotel. Eu fiquei no quarto, tomei um bom banho e acertei a contabilidade do dia. Em Basel muda o dinheiro, de Euro para Franco Suíço (SFr é o símbolo).

Ontem (3/1) cedinho saímos de Basel (deixando as mochilas no hotel, para que não nos atrapalhassem na programação do dia), e partimos em direção a Mürren (via Interlaken e Lauterbrunnen) onde fica o acesso (por bondinho e trenzinho) ao topo da montanha Schilthorn, onde, bem no topo, fica o restaurante Piz Gloria, mundialmente famoso especialmente por ter tido uma participação importante em alguns filmes de James Bond na série “In Her Majesty’s Secret Service”. Esse restaurante, que eu conheci nos anos 80, é rotativo e fica girando em círculo enquanto você come e desfruta uma das mais impressionantes vistas dos Alpes, que lhe permite ver o Jura (a montanha mais alta da Europa, por isso chamada de “The Top of Europe”), o Mont Blanc (talvez a montanha mais bonita dos Alpes, pertinho de Genebra, mas em território francês) e várias outras montanhas famosas dos Alpes Suíços.

Havíamos feito reserva no Piz Gloria para 14h, mas acabamos chegando lá às 12h… (ser filho de mineiro de vez em quando é uma m…). Resolvi verificar se eles estariam dispostos a nos dar uma mesa mais cedo. O dia estava lindo, sem núvens, com um belo sol, e não queríamos perder a oportunidade de almoçar e ficar cerca de duas horas vendo o belíssimo cenário em um tempo totalmente limpo, sem neblina, sem neve, sem chuva… Falei com o maître, e ele respondeu (como era de esperar): “Mas o senhor está duas horas adiantado!!!” — mas pediu o meu nome para conferir a reserva. Quando disse a ele o meu nome ele perguntou se éramos brasileiros. Mudou o tratamentode água para vinho: o dito cujo, chamado Thiago Pereira, era português, de Abrantes. Arrumou-nos uma bela mesa na hora, encostada na janela, e me chamou para que eu visse algo com ele. O algo era um bufê, servido diariamente até às 14h, que continha saladas, frutas, sopas, pães diversos, frios de todos os tipos, comida quente variada, sucos, prosecco (com e sem álcool à vontade), e mais algumas coisas, por 33 Euros por pessoa. Unanimemente optamos pelo bufê — em parte por causa das bebidas… Só duas cervejas long neck que eu tomasse, ou uma meia garrafa de vinho, custariam no mínimo 12 Euros. Algo equivalente se daria com sucos, refrigerantes e água para as mulheres (das quais só a Priscilla não é totalmente abstinente no tocante a álcool). Valeu a pena. A comida estava excelente, o Prosecco e os sucos também, e ficamos “leisurely” comendo durante basicamente duas horas. Saímos de lá (para usar uma expressão meio vulgar) “estufados e empanturrados”.

Depois do almoço ficamos girando lá por cima, vendo uma exposição sobre James Bond, tirando fotografias ao ar livre, etc. Depois, por volta das 15h30, começamos a descida. Em Interlaken pegamos o trem das 17h para Basel, onde chegamos por volta das 19h. Fomos para o hotel onde nossas malas estavam guardadas, e que era perto da estação, e ficamos por lá até  às 22h, aproveitando a boa Internet e o acesso a tomadas para carregar computadores, telefones, etc.

Está aí a crônica dos últimos dois dias. Como já disse, chegaremos a Colônia um pouco depois das 6h da manhã e, depois de uma pequena espera, tomaremos outro trem internacional para Bruxelas, onde chegaremos por volta das 9h da manhã. Ainda pretendemos voltar a Colônia, especialmente para ver a Catedral, e, portanto, passou em nossa cabeça a ideia de fazer isso hoje, ao chegar à cidade. Mas optamos por não fazê-lo, porque estamos carregados de mochilas bem cheias (dadas as compras das meninas e da Paloma) e um bocado cansados. Voltaremos outro dia, se der.

Estou procurando convencer a Paloma a escrever um artigo sobre a experiência da visita a Mürren, ao Schilthorn e ao Piz Glória. Em 2012-2013, quando ficamos cerca de doze dias na Suíça, com base em Genebra, fomos visitar o “Topo da Europa”, o Jungfraujoch, tomando o trenzinho que vai até quase o cume da montanha por dentro dela, num enorme túnel. A Paloma ficou encantada. Naquela ocasião não deu para irmos até Mürren / Schilthorn / Piz Gloria, razão pela qual ela ficou sonhando com um retorno à Suíça para poder ir lá. (A Suíça é a terra dos antepassados da Paloma por lado de mãe, que saíram de Winterthur para ir para o Brasil: é daí que vem o “Epprecht”). Espero que ela se motive a escrever e de fato o faça.

É isso. Meu artigo de hoje foi, até aqui, estritamente do tipo crônica de viagem. Vou tentar termina-lo com algumas considerações sobre a economia na Suíça que transcendem os limites de uma crônica, propriamente dita.

Para quem vem de fora, parece haver dois princípios básicos na economia suíça:

  • Tudo aqui é pago;
  • Tudo aqui custa caro.

(Um terceiro princípio poderia ser: há muito pouca fiscalização ostensiva das ações dos indivíduos [bancas de jornal às vezes ficam desassistidas: você paga o que pega, acerta o troco, e vai embora, sem lidar com algum humano], mas você é severamente punido se tenta “passar a perna” no sistema).

Ilustro os dois primeiros princípios.

Hoje, enquanto estávamos na estação ferroviária de Basel, duas de minhas acompanhantes precisaram ir ao banheiro. Rodamos e não encontramos nenhum. Perguntamos onde ficava o banheiro e ficava no sub-solo. Lá chegando, fiquei admirado com a qualidade das instalações. Tudo novo, bonito e limpo. Mas tudo pago — e funcionando automaticamente, sem atendente, através de catracas e máquinas de pagar com moedas (algo que indica o terceiro princípio também: ninguém está ali para fiscalizar se você não passa por baixo da catraca, como a muitos brasileiros ocorre fazer). Eis os preços (comprovados por uma foto), esclarecendo que, ao câmbio de hoje 1 Franco Suíço (SFr) equivale a 1 Dólar Americano (USD), ou seja, vale, digamos, de 3,20 a 325 Reais (BRL):

  • Uso das privadas fechadas, por  parte de qualquer sexo, num mesmo ambiente (sem que haja ala masculina e ala feminina): 2 SFr.
  • Uso dos mictórios, exclusivamente por parte de homens, num ambiente, portanto, segregado: 1,50 SFr.
  • Uso da área de pias, com espelhos, etc., para se pentear, arrumar, etc., por qualquer sexo: 2 SFr.
  • Uso da área de chuveiros, para uma ducha, por qualquer sexo: 12,00 SFr.
  • Troca de fraldas de crianças, por qualquer sexo: 2,00 SFr.

precos-toilette-de-basel

Tudo é pago – e tudo é caro: para fazer xixi ali na estação ferroviária, um homem gasta quase 5 BRL – e uma mulher cerca de  6,50 BRL. É verdade que as instalações são modernas, bonitas, e, mais importante, limpas, bem-cheirosas, etc. Mas não há sequer uma alternativa mais velha, mais suja, mais fedida, mas gratuita…

Dou outro exemplo. No trem que veio de Interlaken para Basel, uma viagem que dura cerca de duas horas, resolvi comprar chocolate quente para todo mundo – posto que a temperatura estava abaixo de zero. Saiu a 4,50 SFr – ou seja, a quase 15,00 BRL, cada copo de chocolate. Os quatro chocolates ficaram a bagatela de 60,00 BRL. Não é brincadeira.

Um terceiro exemplo: uma garrafa de rum Bacardi, que no Brasil custa cerca de 30,00 BRL, na Suíça está custando mais de 40,00 SFr, ou seja, acima de 125,00 BRL, ou seja, quatro vezes mais do que no Brasil.

É verdade que algumas coisas custam bem mais barato aqui do que no Brasil. Uma garrafa de vinho da marca Gato Negro, que no Brasil está a custar cerca de 32 a 35,00 BRL, na Suíça (e no resto da Europa) custa cerca de 5,00 SFr ou 4,50 EUR – ou seja, menos da metade do preço praticado no Brasil.

É isso, por enquanto.

No Trem de Basel (Basiléia) a Köln (Colônia), em 04 de Janeiro de 2017

Em Tempo:

Escrevi o essencial nas primeiras horas do dia e fiz uma primeira revisão por volta das 5h da manhã, depois de ter tentado dormir um pouco, sem muito sucesso. As meninas e a Paloma deitaram como puderam nos bancos da cabine de seis lugares dos quais reservamos quatro. Felizmente, em relação aos outros dois lugares, um foi reservado por alguém que só pegaria o trem depois que o deixássemos, e o outro foi reservado por alguém que só subiria no trem na última estação antes de Köln, onde desceríamos — mas mesmo assim não apareceu. Assim, tivemos os seis assentos por nossa conta o tempo todo. A Paloma conseguiu dormir nos dois assentos do meu lado – e as meninas negociaram três assentos e conseguiram dormir neles se revezando.

Mais tarde relato o restante da viagem referente ao dia de hoje, 4/1, o quarto de 2017 e o décimo terceiro de nossa estada Europa. Amanhã, 5/1, serão completadas duas semanas de nossa chegada à Europa e depois de amanhã, 6/1, teremos cumprido metade de nosso tempo aqui… Time sure flies when you are having fun… 

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