20161231: O Nono Dia (Aachen / Aix-la-Capelle e o Fim de Ano)

Aachen, hoje localizada na Alemanha, muito próximo da divisa com a Bélgica, e perto da divisa com a Holanda, é uma cidade que já mudou de mãos várias vezes e acabou ficando na Alemanha. Seu nome é conhecido em várias variantes. Quem fala Francês ou Inglês a conhece como Aix-la-Chapelle. Quem fala Espanhol ou Português a conhece como Aquisgrana.

Como Chaves, em Portugal, cidade com a qual tenho uma identificação especial, Aachen foi fundada pelos romanos nos primórdios da era cristã. Tanto no caso de Chaves como de Aachen, por uma boa razão: os romanos encontraram nos locais em que as cidades foram fundadas fontes de águas minerais / termais / medicinais. Chaves foi chamada pelos romanos de Aquae Flaviae (ou Aquis Flavium). Talvez por ter sido supostamente fundada por alguém chamado Flavius (como é o nome de meu irmão), por volta de 79 dC. Até hoje, quem nasce em Chaves é chamado de flaviense. Aachen foi chamada pelos romanos de Aquae Granae (ou Aquis Granum), por ter sido supostamente fundada por alguém chamado de Granus Serenus, por volta de 124 dC. Por esta razão a cidade é chamada de Aquisgrana em Português. Aqui findam os paralelos entre as duas cidades.

Aachen é, hoje, mundialmente conhecida por razões históricas, que serão declinadas a seguir, e por ter um monumento reconhecido como World Heritage Center pela UNESCO. Chaves só é conhecida de portugueses e de galegos (a Galizia fica do outro lado da divisa, a 10km, com a Espanha), embora tenha um forte bastante bem preservado (que é hoje um fino hotel) e ruínas de um castelo (que se limitam a uma torre).

Aachen era o local preferido de residência de Charlemagne / Carlos Magno / Karl der Grosse, o fundador do Sacro Império Romano no Ocidente no ano 800. Quando se tornou Imperador desse Império, transformou Aachen em sua capital. Ali já exercia a função de Rei dos Francos, antes de se tornar Imperadoro Romano, no dia de Natal do ano 800. Como Rei dos Francos começou a construir ali uma igreja — que só veio a ser concluída, numa primeira versão, depois de estar ele morto já há algum tempo. Concluída, a igreja veio a ser chamada de la Cathédrale de Aix-la-Chapelle, ou, em Alemão, Der Aachener Dom. Em Inglês é conhecida como Cathedral of Aix-la-Chapelle ou Aachen Cathedral. A catedral hoje contém, num sarcófago aparentemente de ouro, os restos mortais de Karl der Grosse / Charlemagne / Carlos Magno.

De 936 (quando o Sacro Império Romano passou a ser controlado por Imperadores Germânicos e não Francos) até  1531 a cidade, agora pertencente aos alemães, continuou a ser sede do Império, e 31 Imperadores Romanos foram  coroados “Reis dos Alemães” nessa magnífica catedral, uma das mais lindas, se não a mais linda, que já vi.

Hoje fomos visitar a “Catedral de Aquigrana”, como se diria em Português fresco. Eu a chamo simplesmente de Catedral de Aachen. Ela fica a cerca de 90 minutos de trem aqui de Bruxelles. Pegamos um trem cujo destino final é Frankfurt, mas que para em Aachen antes de parar em Köln (Colônia) para depois seguir até Frankfurt. Uma coisa que me surpreendeu foi o tamanho da nave da catedral. Ela não é grande, não passando de uma fração do tamanho da nava de Cathédrale de Notre Dame de Strasbourg, que vimos antes. Mas é magnífica. Só vendo as fotos, mesmo. Por fora, ela é incomparável. É difícil descrevê-la, sem ser especialista em arquitetura. O edifício que está ali hoje já sofreu inúmeras reformas e modificações ao longo dos mais de mil anos de sua existência. Mas continua cada vez mais magnífico no seu conjunto

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Voltando para Bruxelles, descansamos um pouco e passamos a preparar nossa “Ceia de Ano Novo”.

Ela foi realizada por volta das 19h, hora local (16h no Brasil), do dia 31/12/2016, em nosso studio, em Bruxelles, BE. No Facebook há fotos da nossa singela mesa e de nós quatro juntos. A comida estava deliciosa, embora tudo tenha sido comprado ontem, no Carrefour – onde também compramos um Prosecco que abrimos depois da meia-noite, quando voltarmos de um breve passeio à cidade, onde deveriam ter sido queimados fogos (não houve nada que possa ser considerado queima de fogos dentro de nosso campo de visão). Voltando à ceia, ela não foi nada sofisticada, longe disso… Na verdade, foi até mesmo franciscana, como também foi nossa Ceia de Natal aqui, um dia depois de chegarmos. O importante foi estarmos os quatro juntos num ambiente nosso, em nossa “home away from home”, aqui em Bruxelles. O importante é a viagem, que, até o final, nos manterá juntos por cerca de 34 dias, vendo um monte de coisas bonitas, e aproveitando o tempo que temos de ficar juntos nessa oportunidade única.

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A propósito, a Paloma e eu estávamos nos lembrando de que, desde 2008, quando passamos a viver juntos, no final de anos pares nós passamos o Révéillon fora do Brasil:

  • Em 2008, em Paris, só a Paloma e eu, ao pé da Torre Eiffel, depois de termos tentado achar um lugar adequado na Champs-Elysée;
  • Em 2010; em Lisboa, com nossos amigos Luiza de Marilac Amorim e Fernando Santos Costa, num restaurante/discoteca, que, na verdade, ficava na Praia da Caparica, perto de Lisboa, não realmente na cidade;
  • Em 2012, em Praga, com nossos amigos Silvia Klis e Edson Saggiorato, amontoados na Charles Bridge, antes de partimos para um pouco de sossego em Cesky Krumlov;
  • Em 2014, na pacata Ushuaia, na Tierra del Fuego, na Argentina, com minha irmã Eliane e seu marido (nosso cunhado) João, na casa deles;
  • Agora, em 2016, aqui em Bruxellas, a Paloma, a Bianca, a Priscilla e eu, naquela que tem sido nossa casa desde 23/12/2016 e o será até 23/01/2017

No final de anos ímpares passamos o final do ano em Ubatuba (2009, 2011), na casa dos meus sogros, e em Salto (2013 e 2015), no nosso sítio “O Canto da Coruja”. Em 2013, ficamos em casa com a Bianca, a Priscilla, minha filha Andrea, o então seu marido, e minhas netas Olivia e Madeline. Em 2015 (ano passado), apenas com a Priscilla e sua (e nossa) amiga Laryssa Gomes.

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Quanto aos supostos fogos de artifício aqui de Bruxelles… Alguém havia dado às meninas (num Centro de Apoio a Jovens ou a Estudantes, não sei bem) a informação de que haveria uma queima de fogos de artifício na praça que fica ao lado / em frente das instalações reais. Fomos para lá um pouco antes da meia-noite. Não havia viva alma no local além de um carro de polícia com dois policiais. Perguntei ao que estava no volante se haveria queima de fogos de artifício ali, e ele respondeu negativamente. Perguntei se haveria essa queima em algum outro lugar ali no centro. Ele disse que talvez sim, alguma, mais adiante — mas que ele achava que já tinha acontecido…

Andamos mais um pouco e vimos que, na avenida que passa na parte do outro lado do parque (o de baixo), havia certa movimentação, com vários carros chegando, estacionando, e pessoas andando apressadamente pela avenida – algumas até mesmo correndo. Fomos até lá e seguimos o grupo até uma outra praça. Mas nada de queima de fogos de artifício como estamos acostumados a ver em Copacabana e nós mesmos vimos em Paris e em Praga em 2008 e 2012. Apenas uns foguetinhos mixurucos aqui, outros ali, uma tentativa de buzinaço, e no más.

Acabamos voltando para casa, depois de alguma confabulação sobre se deveríamos ir mais adiante e verificar se havia algum agito mais significativo. Decidimos não ir. O ambiente não prometia muito. Nas ruas, a maioria era de homens em grupos, infalivelmente bebendo, já se vendo algumas garrafas vazias deixadas por eles no chão… Ou seja, o pior tipo de homem que se pode ter: uma manada de bêbados. Tenho certeza de que fizemos bem em voltar para casa, embora, evidentemente, tivesse havido alguma relutância por parte das meninas.

Chegando em casa, tomamos nosso Prosecco e nos desejamos um Feliz 2017. Mas a experiência da não-queima de fogos de artifício nos deixou meio frustrados, pela expectativa que construímos de ver algo bonito e que marcasse a passagem de ano dessa forma tradicional.

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Vamos ver o que nos reserva 2017…

O ano que acabou, 2016, a despeito de todos os problemas, foi bom para nós, até mesmo muito bom, em muitos aspectos. A Bianca concluiu a Faculdade em São Paulo, na área de Gestão Ambiental, e a Priscilla a começou, em Botucatu, na área de Biomedicina. A Paloma começou um novo trabalho no IFSP-Capivari, iniciando uma nova carreira aqui no magistério de nível superior. Em função desse novo trabalho, nós dois nos mudamos de São Paulo para o sítio em Salto.

Eu escrevi dois livrinhos, um sobre Aprendizagem Colaborativa Através de Projetos Transdisciplinares, que fará parte de uma coleção da FTD Educação, e outro sobre O Cristianismo Primitivo (até 476 dC), que fará parte de um conjunto de Guias de Estudo do Curso Livre a Distância de Teologia da Fundação Eduardo Carlos Pereira.

O primeiro livrinho (que chamo de “livrinho” porque é despretensioso, embora tenha cerca de 200 páginas em Microsoft Word) discute basicamente três conjuntos de questão:

  • Quem somos? (A Questão da Identidade Pessoal)
  • O que queremos ser, ou para onde queremos ir? (A Questão dos Projetos de Vida, ou dos Fins)
  • O que é preciso saber / saber fazer / fazer para nos tornar o que queremos ser ou  para chegar aonde queremos chegar (A Questão das Competências, ou dos Meios)

Inspirei-me, nesse livrinho, em ideias de muita gente que venho lendo há décadas, mas a presença mais marcante foi a de Steven R (Richards) Covey, autor de Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes e os inúmeros outros livros que a ideia desse livro acabou por gerar.

O segundo livrinho, que espero rever e expandir para publicação autônoma ao longo de 2017, é sobre a História do Cristianismo Primitivo, de suas origens, como uma seita judaica, até sua consolidação como única religião oficial do Império Romano (em 380) e, com o fim do Império Romano no Ocidente (em 476), como verdadeira “Religião Imperial Sem Império”. Discuto, no texto, em especial a questão da criação, artificial, de uma unidade doutrinária (a ortodoxia) a partir de uma rica diversidade original que, com a definição da ortodoxia (nos Concílios Ecumênicos de 325, 381, 431 e 451), acabou sendo declarada herética e perseguida. Ou seja, durante esses quase cinco séculos de história, o Cristianismo passou de uma igreja perseguida para uma igreja perseguidora. A Inquisição, que surgiu muitos séculos mais tarde, é fruto dessa evolução (ou, como preferem alguns, dessa involução).

É isso. São quase 3h da manhã aqui nesta parte do mundo. Não sei bem o que faremos amanhã. Talvez demos um pulo até Antuérpia. Mas não está totalmente definido ainda.

Termino desejando um Feliz 2017 a todos os leitores deste blog.

Em Bruxelas, 31 de Dezembro de 2016 (na verdade, em parte, já em 01 de Janeiro de 2017).

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