20161224: A Nossa Ceia do Natal

Confesso que fico até meio constrangido para falar no assunto, porque nossa ceia, na saletinha do studio que ocupamos no hotel aqui em Bruxelles foi de uma simplicidade e pobreza franciscanas. Poderia dizer, meio demagogicamente, que foi tão simples quanto o cenário descrito pelos evangelistas (também meio demagogicamente) para o nascimento de Jesus. Estávamos todos nós já de roupas de dormir (nada de pijamas e camisolas por aqui: shorts, moletons, camisetas são o traje de rigor para dormir). A comida teve sopa, queijos, salame, presunto, pão (inigualável), suco, refrigerante, vinho, e, de sobremesa, chocolate e o resto dos docinhos gostosos (mas diferentes) que compramos numa barraca que encontramos no Christmas Market (compramos meio quilo por 10 Euros, mas valeu). Por sinal, o cara que vendia falava um pouco de Português. Parece que todo o pessoal do comércio por aqui fala um pouco de Português. O mínimo indispensável para cativar o freguês, mas fala. De qualquer modo, foi uma celebração natalina a nossa ceia — meio ao estilo de “para não dizer que não falei de ceias”, se o Geraldo Vandré me permite o jogo com o título da linda e tristemente famosa música dele, que sempre me faz lembrar de “Where Have All the Flowers Gone”…

Depois da ceia fizemos a revelação de nosso amigo secreto. Brincadeira de amigo secreto só de quatro é meio limitada, mas vamos lá. Era só pra comprar uma lembrancinha, nesses tempos de crise e com preços europeus, mas a Paloma, primeiro, mãezona, exagerou um pouco, e a Bianca, meio que seguiu no caminho… Enfim: a Paloma tirou a Bianca, e lhe deu uma blusa de moleton (muito bonita) com motivo belga; a Bianca me tirou e me deu uma caixa de chocolates (deliciosos); eu tirei a Priscilla e lhe dei um ursinho de pelúcia com camiseta (doce como ela, em seus melhores momentos); e a Priscilla tirou a Paloma e lhe deu um chaveiro em forma de P e um par de luvas que deixam as pontas dos dedos de fora para digitar no celular (ou que deixam os dedos de fora para dirigir melhor) — não sei direito qual a finalidade principal de um par de luvas no cobrir os dedos inteiros.

Enfim: c’était ça.

Antes de fechar, uma observação… Há quem não goste do “estilo revelatório” dos nossos blogs (os meus e os da Paloma). Uns afirmam que seria de mau gosto, quando não perigoso, revelar certos detalhes acerca de onde estamos, o que estamos fazendo, o que comemos, etc. Eu (falando por mim) acho que o mundo virtual é uma continuidade do mundo presencial — ambos são, hoje, parte do “mundo real”, propriamente dito. Os amigos da gente  gostam de saber (tanto quanto me é dado perceber) o que fazemos, e comemoram conosco, e deixam que comemoremos com eles, os bons momentos. Sem os blogs e o Facebook, seríamos quatro brasileiros perdidos numa noite escura (a partir de certa hora) aqui em Bruxelles ontem. Com a ajuda dessas ferramentas digitais que estendem e expandem o nosso mundinho, sentimos que os amigos estavam perto de nós e nós perto deles.

Enfim de novo: c’est ça, agora no presente, às 5h34 da manhã (estou acordado desde as 3h30).

Em Bruxelles, 25 de Dezembro de 2016 (entre 4 e 6 da manhã, mas relatando sobre o dia 24 ainda)

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