20161223: Detalhes da Segunda Perna da Viagem

Apesar do grande atraso na saída de São Paulo, nossos pilotos conseguiram chegar em Zürich com um atraso de apenas 20 minutos. E o aeroporto estava preparado para o atraso. A maior parte dos voos já aparecia nos monitores com um aviso de “Espera Técnica”: estavam prontos para partir, mas esperando passageiros de outros voos. Simplificaram os procedimentos de alfândega, tudo correu direito, e chegamos ao Portão de Embarque do voo para Bruxelles o embarque não havia ainda começado. Tivemos de despachar duas bagagens de mão (a da Paloma e a minha) porque o avião era menor e estava cheio.

Por falar em avião, trata-se, agora, de um Airbus 320-200, com alcance de apenas 3.650 km e peso máximo ao decolar de 73.500 kg. Sua velocidade máxima é de 850 km/h. Depois da queda do avião da Lamia, resolvi ficar alerta a esses detalhes técnicos… O voo de Zürich a Bruxelles (onde a temperatura está 4 graus centígrados) é de 1h25m.

Ainda não sabemos exatamente como vamos do aeroporto de Bruxelles para o centro da cidade e, de lá, para o hotel. Temos várias opções que estudaremos depois que estivermos no chão, com todas as nossas bagagens. O checkin no hotel só começa às 14h. Provavelmente deixaremos as bagagens guardadas lá e daremos um primeiro passeio a pé nas redondezas, aproveitando para tomar uma primeira refeição em solo belga.

A propósito, o café da manhã da Swiss foi simples mas salutar — e bem servido. A tripulação era extremamente gentil, sempre sorridente. Havia um comissário de bordo que falava português (meio espanholado, mas demos a ele crédito pelo esforço: não somos nós que vamos criticar o Portunhol). Aqui neste voo aparentemente vão servir alguma besteirinha para distrair o estômago da gente.

Vou tentar dizer o que vou dizer sem ser ou mesmo parecer preconceituoso. O voo de Zürich para Bruxelles, que acomoda cerca de 160 pessoas, tem uma composição étnica e de cor mais ou menos compatível com a da Europa de hoje: cerca de metade dos passageiros é, no tocante à cor, o que, no Brasil, seria classificado como pardo ou preto. Muitas crianças nessa categoria, várias com acompanhantes brancos. Espero que a mera constatação e o simples relato do fato sejam recebidos como devem: de forma não ideológica. Se eu dissesse que fato é fato, seria isso também um fato — um metafato, ou um fatos sobre fatos?

Vou me arriscar a continuar no assunto. Lembro-me ter escrito em meu blog, em algum momento (ele teve início em Dezembro de 2004) que nos Estados Unidos as pessoas são consideradas pretas (black) se têm alguém preto entre seus antepassados ou ascendentes. Pode ser 1/32 ou 1/64 deles. No Brasil, a coisa parecia ser invertida, no momento em que escrevi. Algum antepassado ou ascendente branco, ainda que remoto, parece clarear a cor da pela por definição e tornar a pessoa branca. Lembro-me de uma entrevista do Ronaldo (não o Dinho) em que ele disse que não era preto, não, que era branco — provocando o protesto dos movimentos negros organizados. A situação parece ter se alterado significativamente. O sistema de cotas levou muita gente a se declarar (pelo menos oficialmente) de cor parda ou preta para poder fazer jus ao benefício.

O capitão já avisou que vamos aterrissar em menos de vinte minutos. Até depois, então.

No Ar, 23 de Dezembro de 2016 (entre Zürich e Bruxelles, cerca de 9h da manhã).

 

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